segunda-feira, julho 09, 2012


"Porque de todas as coisas do mundo, eu só queria olhar pra você"

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Pela primeira vez na noite, reuni coragem suficiente para olhar em direção a mesa em que você se encontrava. Por um momento pensei que nossos olhares se encontrariam e que você estivesse mesmo abrindo um sorriso por me reconhecer. Involuntariamente, comecei a sorrir também. Assim como, um segundo depois, meus olhos encontraram uma de suas mãos entrelaçando-se com as da nova garota, enquanto, a outra, erguia-se para colocar uma mecha de cabelo solto de volta ao lugar.

Longe de mim, negar que meu primeiro pensamento não esteve relacionado com a capacidade dela de te fazer feliz. Foi isso mesmo, além de uma série de possíveis xingamentos que eu fui capaz de processar em segundos e que poderia dirigir a vocês dois, logo em seguida. Até voltar a tomar fôlego e perceber que não estava incomodada com o jeito artificial e mecânico como ela se movia ou como você parecia se esforçar para fazê-la rir, possivelmente de uma das suas piadas mal-contadas.

Não houve vontade de estar no lugar dela. Houve uma lembrança de um dos inúmeros diálogos inventados, porém nunca concretizados: “posso estar com tantas outras, e, mesmo assim, continuar procurando por você em todas elas” e uma satisfação inesperada por saber que não havia sido real.

Como se não bastasse estar certa em relação a mim, decido estar certa também sobre o tipo de garota que ela é. Eu a observo, determinada a procurar qualquer detalhe que indique que ela te terá nas palmas das mãos. O cabelo, preso num rabo-de-cavalo escorrido, chega quase a lombar, onde, aliás, tem uma tatuagem – uma espécie de pássaro, com algum tipo de corrente presa no bico, que eu, definitivamente, não tenho interesse em saber o que carrega, onde vai dar ou qualquer coisa do gênero –, camiseta customizada do tipo posso-exibir-minha-cintura, além do óbvio você-pode-querer-me-imitar, calça skinny e all-star. Sendo assim, tá tudo certo, eu te conheço e sei que essa daí merece o selo de qualidade, pelo menos, com passagem no nível “posso-te-levar-pra-conhecer-meu-apartamento”. Também não importa muito, não me incomoda mais. Além disso, do superficial, não posso saber se ela te fará lembrar dos oito dígitos nos dias seguintes – desculpe-me por deduzir que ela é mais uma das que tem a oportunidade de um primeiro encontro contigo –, mas, seja como for, achei o que estava procurando; ela tenta colocar a franja atrás da orelha quando fala e, quando está escutando, tende a esconder o rosto.

Seu olhar encontra o meu, no mesmo instante em que a gargalhada – outro detalhe – da sua nova garota ecoa pelo bar já quase vazio. Você fica confuso, olha pra um lado e outro, como se duvidasse que eu pudesse mesmo estar ali sem fazer drama, e então volta a me encarar, sorrindo. Eu tento me lembrar de como era me perder com seu olhar e voltar a me encontrar em seus olhos. Nada. Deve ser um desses caminhos que só se encontram uma vez. Perdi a trilha. Eu me limito a te encarar de volta, como se isso fosse me trazer respostas. Não traz, infelizmente, mas te faz começar a percorrer a distância que nos separa.

Distância que eu volto a preencher, com a sensatez que sempre quis encontrar em mim, mas que estava perdida entre os excessos que eu cometia com você.

3 comentários:

Make Mania disse... [Responder Comentário]

Amei o texto
visita o meu blog http://makemaniaecia.blogspot.com.br/ aguardo sua presença lá :D
Beijos e Sucesso !

Make Mania disse... [Responder Comentário]
Este comentário foi removido pelo autor.
Jessica Belle disse... [Responder Comentário]

Nossa que historia triste e linda ao mesmo tempo.
Gostei da sua escrita.

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